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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Maldita Geni

Publicado originalmente no Blog Lenda Pessoal


A personagem descrita por Chico Buarque na música “Geni e o Zepelim” nem de longe lembrava a recatada doméstica Geni dos Anjos. Mas foi exatamente por causa dessa música que ela herdou esse nome. Seus pais, hippies andarilhos, que vieram da Argentina para percorrer os quatros cantos da Amazônia, batizaram ela com um nome que segundo eles, daria força e personalidade forte para a menininha nascida às margens do Rio Negro.

Tímida e introspectiva, Geni cresceu e se tornou o oposto da mulher imaginada por seus pais. Aos 27 anos de idade e há dois anos namorando Eraldo, seu ex-professor de Ensino Religioso que esperou 36 meses por um sim, ela finalmente decidiu que queria deixar de ser virgem. A decisão veio depois de um sonho em que ela e o namorado faziam amor numa praia deserta. E como também é perfeccionista, Geni queria que tudo fosse igualzinho ao sonho, com direito a praia deserta, barraca de camping e uma fogueira.

Após um mês de preparação, tempo que representou um século para o Eraldo, eles organizaram tudo. Escolheram a praia e o dia, a data do aniversário de namoro deles. O sonho finalmente estava perto de se tornar real. Tão perto que a paciência do Eraldo esgotou literalmente assim que os dois colocaram os pés na areia.
Geni decidiu que só faria amor após tudo montado tal qual no sonho, incluindo barraca e fogueira. Eraldo não argumentou nada, somente fez tudo que ela pedira. E mesmo após a preparação de todo o cenário, Geni insistira em fazer cú doce. De cócoras de frente para o mar, ela falou que só faria amor depois que rezasse todo um rosário. Aí, ele explodiu e começou a gritar.

___Chega, Geni! Não podia ser mais fácil se isso fosse lá em casa? Eu moro sozinho. Precisava mesmo fazer essa presepada toda só pra me dá? Nós já gastamos muito tempo e dinheiro nisso aqui...

___Cala a boca, Eraldo! Assim você me atrapalha. Não vê que estou rezando? Poxa, assim você perde todo o romantismo.

___Eu não aguento mais esse jejum. Será que você não entende?

___Chega! Quem não aguenta mais sou eu. Quer saber eu desisto. É isso mesmo desisto de fazer amor com você. Eu vou votar pra casa agora.

___Ah, mas não vai mesmo! Não, sem antes fazer o que você veio fazer aqui.

___Não. Já disse, não! Esse seu machismo truculento acabou com a minha vontade.

Ao perceber a reação de Geni, Eraldo começou a chorar e pediu desculpas. Geni abraçou seu amado e disse que só o perdoava com uma condição. Ele teria que esperar o dia amanhecer, pois no famigerado sonho eles faziam amor exatamente meia hora antes do sol nascer.

Mesmo contra sua vontade, Eraldo concordou. Respirou fundo, contou até cinco e disse que tudo estava sob controle. Os dois dormiram lado a lado na barraca, mas ele não ousou tocá-la. Prometeu para si mesmo que iria respeitar a decisão da sua amada.

Lá pelas tantas da madrugada, Geni acordou sorrindo. Saiu da barraca cantando quase que em sussurro a música em homenagem ao seu nome, foi em direção a fogueira e disse:

__Realmente, tudo está como eu planejei.

Em poucos segundos, Eraldo morria queimado.

2 comentários:

Eraldo Paulino disse...

Eu sempre quis morrer assim! =)

Grande Adison!

Átila Goyaz disse...

Geni etílica!