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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Amor em tempos de pós-modernidade

No relógio, 29 horas. Na rua, pessoas apressadas andando de um lugar a outro e indo a lugar nenhum. Todos falam. Ninguém se ouve. Nas fábricas, não há mais quem defina o que é máquina do que é gente. O dia agora possui 36 horas, mas ainda existem reclamações de que isso é muito pouco tempo.

 A estética é a ideologia que impera. Agora tudo é pós. Pós-moderno, pós-tecnologia, pós-capitalismo, pós-crença, pós-sucesso, pós-humanos, pós-vida. Ninguém se ouve. Todas as relações são liquidas. Todos falam. O amor se industrializou e se transformou em mera reação química, com fórmula e patente, vendido em cápsulas de 6 ml em qualquer farmácia. Ama quem pode pagar. Paga quem lucra. Lucra quem possui os meios de produção.

Não existem mais nomes próprios, apenas números. A medicina descobriu a cura do câncer. Agora a depressão, conhecida como o mal do século, é a doença que mais mata. Não há mais espaço para a solidariedade. Todas as relações são liquidas. Instaura-se a sociedade da individualização. Todos competem, a todo o momento, todo dia, todas 36 horas.

Não existe mais contracultura, ninguém mais nada contra a maré, todos seguem o mesmo caminho. O Preço do amor em cápsulas cresce a cada dia, priorizando apenas as classes mais abastadas. Ninguém mais sabe o significado da palavra revolução. O preço do amor continua subindo. A procura também aumenta. A produção da cápsula diminui. Instala-se o caos. Tudo chega ao fim. E nasce um novo tempo

3 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Precisa-se, urgentemente, dum respiro dessa loucura toda.
Sem que o amor pague por isso, ou que nós paguemos por ele.

Átila Goyaz disse...

Achei isso tudo muito póstumo.
Admirável mundo novo.

Eraldo Paulino disse...

Olha... Tudo não. Nada não. Muito de tudo e muito de nada? Sim.

De qualquer forma, o saldo líquido desse post é muito positivo.

Abraço!