Conteúdo adulto

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Uma canção. Uma jornada

Era um mega evento religioso. Uma multidão de nacionalidades, uma imensidão de perfis, cores, cheiros, cabelos, corpos, corpos... corpos. Havia ali uma predileção pelos sorrisos, pela confraternização, pela saudação universal, pelos encontros casuais e educados. Quando ele voltou pra casa, no alojamento ao mesmo tempo desconfortável e aconchegante, cheio de colchões, roupas e pessoas seminuas de ambos os sexos, sentiu que ali seriam tempos realmente peculiares. Deitou pra dormir e ouviu o som de violão, uma linda voz. Não dava pra ver o rosto direito, mas a voz era tão linda que ninguém das 10 ou 12 pessoas na roda se arriscava a cantar. Rolou Djavan, Caetano, Gonzaguinha, Cazuza, Legião, Mercedes Sosa, e perto da meia noite todos já estavam transbordando de sono e ele de amor por ela, daquele tipo instantâneo, que é só por no peito e misturar que ta pronto.

Depois que as pessoas começaram a se recolher, ele agiu rápido e nervosamente e começou a anotar os contatos dela. Agradeceu a Deus por ela ter até endereço de orkut ainda. Anotou tudo muito de vagar. Não tinha muito tempo, e como nem todos haviam saído antes que os dois ficassem a sós, ele inventou que tinha um problema a partilhar com ela, que muito generosamente, mas com nem tanta vontade assim, aceitou. Ele inventou que estava com uma coisa ruim ali dentro e levantou a blusa pra expor o peitoral torneado. Aumentou as queixas e intensificou a careta pra ver se ela se arriscava em acariciá-lo. Demorou um pouquinho, mas assim ela o fez, colocando as mãos suaves e geladas sobre as mãos dele. Eles continuaram conversando, pois sobre falar de problemas ele sabia muito bem.

Eles conversaram por mais meia hora, então ele tentou forçar um pouco mais de intimidade. "Sei que nos conhecemos não tem muito tempo, mas tenho certeza que se você cantasse no meu ouvido as coisas ficariam melhores, pois você tem a voz dos anjos que eu nunca vi", lançou a isca ele. Ela fisgou, com um sorriso sem graça. Ela começou a cantar uma música que ele não conhecia (isso era verdade). Ele elogiou a voz dela mais uma vez. Ela disse pra parar de elogiar porque sem graça ela não cantava bem. Ele pediu pra ela cantar "Beija eu" da Marisa. Ela começou, e depois dos primeiros versos, não se ouviu mais uma melodia, mas um bailar de cabeças, línguas e mãos. Ela tentou resistir à ousadia dele, mas ele beijava bem de mais. Quando ela viu, a mão dele já estava dando o tom da música. Coube a ela não desafinar. Pecaram. Não se arrependeram.

3 comentários:

Marcelo R. Rezende disse...

Delicioso esse som.

Michele P. disse...

Paulinooo...voltaste! Que bom. :)

Beijos

CLEMENTE GERMANO MULLER disse...

Oi minha querida amiga. Que texto maravilhoso. Somente para maiores... viajei lendo ele pois meus pensamentos voam mais que gaviões em noite de lua cheia. Parabéns. Já estou te seguindo e prometo voltar muitas vezes. Um grande beijo. Tenha uma ótima quinta-feira. FIQUE COM DEUS.