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domingo, 28 de agosto de 2011

Torrada Verde ou Barão Pão Duro ou Garçom Analitíco ou Seja o Mais Natural Possível

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­CLIENTE- Xeque?

GARÇOM- Mate!

CLIENTE-Cheque?

GARÇOM-Uma onça, por favor?

CLIENTE-Eu só tenho beija-flores.

GARÇOM –Não existem beija-flores; você sabe que eles não se multiplicam facilmente, eles querem uma Rosa, é uma busca incansável.

CLIENTE - Que tipo de rosa? Lá em casa tem um jardim florido, é muito comum aparecerem tartarugas marinhas por lá; elas ficam sobre as pedras e fixam os olhos para o sol, parecem estararem à espera de algo, mas logo as cascudas matusalênicas se cansam e acabam saindo das pedras, despejando um musgo e depois retornando de onde vieram; parecem que detém a sabedoria do mar; e outra – dá uma bebericada num suco de laranja-, esses bichos possuem crias, além de cascos né? São pedagogas sem saber, essas cascudas sabem fazer escola sem palmatória e seguir boas correntes, pelo menos é o que dizem.

GARÇOM - E você não limpa as pedra? Os cocôs desses seres?

CLIENTE - Nunca limparia o ‘cocô’ de seres de conhecimentos mais evoluídos. Prefiro deixar a natureza acontecer; é fascinante ver a transformação de Gaia.

GARÇOM - Ah, sim, pra quem mora em casa de veraneio, quisera eu!... Mas aí, me conta... a tartaruga sobe na pedra mais alta, olha pro sol e volta pro mar. Que sentido você vê nisso?

CLIENTE - Dai nascem as gramíneas!!! Me vê um peixe frito aí com um limãozinho por favor?

GARÇOM - Vou providenciar pra você, mas mudando de assunto... ‘Musguinhos né?’ Aqueles que você pisa e corre risco de fraturar a cabeça.

CLIENTE - Claro que não, acidentes só acontecem pra quem tem medo e falta de senso crítico; o tempo passa pra todo o mundo, as garças e os pescadores se aproveitam dos peixes que ficaram enclausurados em um lago de rocha e os peixes, indefesos, já saem dessa pra melhor, salinizados. Esse é tipo de pescador se alimenta pra salvar não somente a sua vida, mas também a do peixe.

GARÇOM –Realmente, é um bom pensamento... o peixe chegou, sirva-se, aliás , é bacalhau. Tenho Outro 'C' a atender...

CLIENTE - Espere!

GARÇOM -(se levantando da mesa e olhando para C); Certo, agora vou dizer: As gramíneas crescem e atraem beija flores verdes e pássaros germinadores de todas as cores, semeando aquela sua pedra. Germinar flores diferentes então é o seu negócio; é negócio natureza! Eu preciso te contar: tenho dois micos leões dourados, quer ficar com eles?

CLIENTE - Não, não, já tenho um papagaio registrado e tudo. Esses animais exigem cuidados especiais.

GARÇOM - Já sei, o seu negócio é avistar os beija-flores e capturá-los.

CLIENTE - Pra sua informação, não sou nenhum Banco.

GARÇOM - Então porque guarda essa jaguatirica na carteia, enjaulada!

CLIENTE - (irritado) Por favor garçom chega de papos, qual o valor dos petiscos?

GARÇOM - (pega um bloco de notas e lê) Vinte reais e cinqüenta centavos.

CLIENTE - Tá bom, como você é falador, vou te dar duas araras e um barão de cinqüenta centavos.

GARÇOM - Obrigado e volte sempre!

Moral da histtória: A arara acalma os beija-flores com suas conversas fiadas, e os micos , de corações a mil, não se aguentam de tanto rir e acabam defecando sobre o musgo; a onça é escondida, mas vive correndo atrás do mico. E o peixe como sempre está frito ou em um aquário, sendo admirado pelas garças, enquanto a tartaruga acompanha, ora dentro, ora fora, limpando o sal de eu casco.

OU

A garça, bela como sempre, ficou atenta ao ocorrido; Ela logo disse à arara que o melhor seria comunicar aos outros bichos idéias de liberdade, utilizando se de sua sarcástica simpatia. Mas o arara estava presa e se recusava a sair da jaula – mesmo com a ajuda da garça. A arara alegava “somente me livrarei dessa prisão se a garça soltar o peixe que esta no aquário” - logo abaixo de sua gaiola. Porém arara alegou ter boa comida, mas sentia pena do peixe, pois ele só comia os restos que a ave expulsava pelas grades, de modo que todo o lixo de palavras salgadas e aéreas caía no aquário e alimentava aquele pobre peixe.

***

O gato observando disse que faria o serviço por uma nota de sete reais.

A onça escondeu cinco filhotes e arranhou a carteira escolar.

E os beija-flores? Verdes livres.

2 comentários:

Gleidson Gomes disse...

Nossa, que surreal!

Li como se estivesse acordado num sonho, guiado pela beleza poética desse devaneio.

Gostei, mesmo sem entender muito do que queria ser dito.

Michele P. disse...

Athila e seu potencial criativo...
Muito bom!

:)

Bjs