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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ordenhamento árabe

Correnteza, flambuência, tudo o que vai vem seja em forma de nuvem, de rio, de rap ou de altos saltos. Átomos escorregando em lágrimas e fagulhas, e escorrendo como porra ou fluídos de vagem de pé de feijão. Transcestralidade original.

Uma vez escrevi que:

"Há que no mar as ondas acariciam, deslizam, correm, se jogam e gozam;
há que no céu as nuvens entram dentro umas das outras e gozam;
há que os ventos deliram e gritam e uivam e gozam;
todos juntos, como num concerto para gemido e orquestra."

E até hoje não entendo porque alguns correm em busca do amor sendo ele o próprio passo, como um cachorro girando pra tentar pegar o próprio rabo.

Ontem eu comecei a praticar um exercício para descobrir se ele funciona. O ordenhamento árabe. Seu objetivo é engrossar o pênis do praticante. Eu fui até ele, quis saber se existia, estava inquieto. Quando o encontrei, detalhadamente passado em um texto claro, fiquei perplexo - tanto pela minha motivação em buscá-lo, e pelas motivações da motivação, quanto pela sincera vontade de experimentá-lo. Fiz uma vez e gostei. Achei ótimo pra iniciar a masturbação, pois aumenta a irrigação do pênis e, especialmente, da cabeça. Fica um cabeção latejante que só presenciando pra ter idéia.

No mesmo poema, também escrevi:

"Aproveita e vem, não pense;
vem e senta no meu pau.
Venha e sinta que
uau!
Que legal!
Que impressionante...
é tão gostoso."

Eram tempos em que eu escrevia meio assim, sem pensar muito nas consequências sobre mim mesmo, apenas confiando na intenção enraizada de fazer o bem aos outros.

Não é questão de concordar ou discordar, hoje em dia, do que registrei no passado, mas há uma estrofe que me incomoda e me faz refletir toda vez que a releio:

"Que beleza, que beleza,
oh, que incontável beleza
se esconde guardada sob o manto fiel da impureza...
e da grossura.
Que esperteza que esperteza
essa mãe que é uma puta e
que é de todos...
natureza.
Meus parabéns, danada,
muito obrigado e
de nada."

Porque eu não sei se puta é a palavra certa, remetendo-me a sexo pago. Pois não sei se a natureza cobra pra ser o que é, assim dadivosa. Aliás não sei se a natureza sequer nos dá algo. O coração não dá sangue para o resto do corpo, ele simplesmente faz o que sabe fazer: bate.

E então, voltando ao ordenhamento, hoje já não senti vontade de praticá-lo. Pelo menos não com as mãos. A vontade mesmo é de ser que nem um pistão e socar gostoso no cuzinho do meu amor. Fodê-lo até eu acreditar sinceramente que a grossura é algo que só importa ao ego bombardeado por anúncios mesquinhos em sites de pornografia.

Pra finalizar, este é um poema que marcou minha vida e a que sempre retorno com um desejo estranho de republicá-lo outras vezes. Talvez porque tenha sido meu primeiro passo em direção à imputabilidade, em uma época em que eu não só me escondia no armário, como me enfiava na gaveta, com medo do mundo. O restante não vale a pena citar aqui. Passou!

E é isso. Por hoje é só, pessoal. Atençããão! Dêér.

3 comentários:

Átila Goyaz disse...

Devo dizer que, conhecendo o rapaz, dono de palavras tão suaves, e pelo teor do texto apresentado tão claramente - acrescento somente que ele não é só um imputável da classe dos 'gostosos' mas como também está entre os mais preciosos.
Bju bjus
e marcos, por favor, me liga?!

Gleidson Gomes disse...

Atordoante!

Gosto dessa mistura de prosa e poema.
E se não fosse tão puto (o 'proema'), eu diria: apaixonante! rs

Muito bom, Marcos.

Michele P. disse...

Quanta fluidez não?

Aplausos meus.

Bjs