Conteúdo adulto

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O coletivo

Todos os dias esperava o ônibus no mesmo local. Nenhum minuto de atraso. Nenhum rosto desconhecido. Estava farta da mesmice, da monotonia, da rotina, do habitual.
Pensou nas roupas que precisavam ser lavadas, no quarto sujo que dividia com outras estudantes, nas contas vencendo e na faculdade minguando.
Perdida no tédio de seus pensamentos, nem se deu conta quando o rapaz alto e moreno aproximou-se da parada.
Só foi sentir a presença do jovem, quando uma tosse seca cortou o ar. Não era dele, naturalmente. Era de uma senhora gorda que se juntava às outras caras pálidas já presentes ali.
Olhou para o moço e gostou do que viu. "Carne nova no pedaço"- pensou.
Não demorou muito, o coletivo encostou. Subiu apressadamente a procura de um assento. Quando o encontrou, tombou a bunda cansada sobre ele. Sorriu no momento em que percebeu quem havia sentado ao seu lado...
O rapaz não era belo, mas um tinha um "quê" de "masculinidade" que mexeu-lhe com a imaginação. O queixo largo, os lábios grossos, as mãos grandes... as pernas e as coxas suculentas escondidas pela calça jeans surrada. Um calor subiu-lhe pescoço acima, enquanto um líquido espesso lhe umedecia as partes baixas. Teve pensamentos obscenos. 
Fechou os olhos e fantasiou. Pode senti-lo sobre ela, o membro endurecido procurando o abrigo do seu corpo. Perdeu os sentidos no gozo daquelas fantasias. Delirou imaginando-se a segurar o órgão grosso e rijo do jovem, enquanto ele beijava-lhe o pescoço e os seios.
Uma freada brusca tirou-a dos devaneios. 
Abriu os olhos. Ao lado dela, com o zíper da calça aberto, jazia, pasmo e pálido, o rapaz. 
Só então ela percebeu que na loucura dos seus pensamentos, tinha deixado que sua mão avançasse para o sexo do parceiro, violentando-o com o carinho de uma masturbação pública.
Ofegante, corada e assustada, puxou rapidamente o braço, levantou-se e apertou a campainha. Desceu no primeiro ponto em que o veículo parou.
Naquela linha de ônibus nunca mais entraria...

6 comentários:

Átila Goyaz disse...

Depois dessa eu lamberia a minha mão!
Bjus!

Marcos Montanhês disse...

A tremedeira, o design do assento, os arranques e as freadinhas, aquele barulhinho do freio, os esbarrões, os suores e a soma das possíveis excitações involuntárias porém discretas dos demais passageiros criam um intenso clima feromonal. Fiquei aqui imaginando a cara pasma e pálida do rapaz. :D

Gleidson Gomes disse...

Égua, se eu fizesse o que ela fez a cada devaneio meu pelas ruas da cidade, ou seria processado por atentado ao pudor ou seria expulso de Belém! rs

Excitante! Adorei, Michele.

Abs

Maela disse...

Imaginei a cara do rapaz.

Delicioso texto Mi

Natália Santos disse...

Aii,aiii, PAPAI!!!!

Mirella de Oliveira disse...

Hahahahaha que danadinha! Fiquei realmente imaginando a cara do moço. Deve ter ficado procurando a moça por anos. E com o sumiço dela, deve ter achado que sonhou! Loucura! :) ADOREI, Mi!