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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Imprevisível


Publicado originalmente no Blog Lenda Pessoal 


Após uma intensa noite de amor, ela senta na cama, acende um cigarro, olha para o fundo dos olhos dele, que acabara de acordar, e pergunta. Como você se vê daqui a dez anos? Ele sorri sem entender, esperando que ela também dê um sorriso. Mas ela o encara. E com ar de seriedade repete a pergunta.

___Como eu me vejo daqui a dez anos?

Em 24 anos de vida, ele jamais ouviu essa pergunta assim, diretamente, explicitamente, sem rodeios, na lata! Logo ele, logo o cara mais “carpe diem” do mundo, alguém que jamais sequer pensou como seria o dia de amanhã. O que importava o futuro? Para que saber como a vida será daqui a uma década?

O silêncio dele a fez levantar da cama. Também em silêncio ela começou a vestir sua roupa e ignorar a presença dele no quarto.

___Para que diabo interessa saber como eu vejo daqui a dez anos?_disse ele, quebrando aquele silêncio ensurdecedor que gritava no quarto.

___Em dez anos me vejo concluindo o doutorado na França, com dois filhos e um romance publicado. É simples! _disse ela, sem olhar em nenhum momento para o rosto dele.

__Por que vocês mulheres são assim? Por que vocês fazem tempestade num copo d’água? E pra que? Pra nada.

___Era apenas um pergunta. Você poderia ter milhares de resposta. Mas sabe por que não respondeu? Por que não está nem aí para o futuro? Por que não tem um pingo de responsabilidade! Por que está cagando pra como será a vida daqui a 12 horas!

__É exatamente isso. Eu vivo como se não houvesse amanhã mesmo. E nunca vou ficar preso a planos e projetos medíocres visando apenas dinheiro.

Ela chorou. Olhou para os olhos dele e repetiu três vezes a palavra “imaturo”.
Ele abriu a porta do quarto. Ela saiu, ainda arrumando a alça do sutiã.

Ele voltou para a cama. 

Depois de dois minutos ela retornou. Bateu na porta e começou a gritar. 
__Esse aqui é o meu quarto. É você que deve sair!!

Ele foi embora.

Foi a primeira e a ultima vez que se viram.

5 comentários:

Átila Goyaz disse...

Malavada sim, mas com objetivos claros; já ele, aluado, incerto, instável.
bjus!

Átila Goyaz disse...

O mais interessante na história é a inversão de papéis. ;)

Marcos Montanhês disse...

Que dureza. Ela deve ter acordado com a vó atrás do toco, rsrs.

Gleidson Gomes disse...

Fala doida! rs
Então ela queria mais que sexo, queria amor, um companheiro!

Anfam.

Abs

Adison César Ferreira disse...

Obrigado, queridos. Acho que este conto se resume numa frase: existe perguntas perfeitas para dias imperfeitos e vice-versa.

Abraços e afagos!