Conteúdo adulto

domingo, 14 de agosto de 2011

Amélia Maria da Penha

A história que iremos presenciar agora conta a repetida farra que acontece quando jovens vivem em uma mesma casa e dependem de uma mulher para sobreviver. Na verdade todos pensam que a juventude um dia irá se tornar adulta, o que é uma meia verdade; mas não é maravilhoso o fato de prender a garotada e conviver com os pesadelos juvenis, todos juntos? É magnífico saber que quando estamos unidos somos mais e por isso mesmo nunca estamos sós, em meio aos papéis. Vejamos o caso do nosso anti-herói João.

João sabia muito bem de seus gracejos, mas era homem de poucas expectativas. Largou a mãe cedo e não perdeu tempo, passou a trabalhar como arquivista nas bibliotecas municipais. Considerava ser o seu hobby mais rentável, por isso mesmo nunca procurou algo maior; arquivista era sua complexidade máxima, dizia sempre ao espelho quando estava triste e queria se auto-afirmar “eu sou o mundo, e o porão me basta”. Gostava de empilhar papéis; uma de suas maiores manias era a de ler os títulos de tudo o que arquivava. Uma vez leu “Os irmãos Karamazov”, ficou abismado com o título; abriu o livro e pousou as têmporas em um parágrafo. Ficou nisso por horas até acabar o expediente. Foi embora para a casa feliz.

Lá encontrava um aconchego, era mimado sim e sabia disso, pois morava com a avó e não tinha com o que se preocupar. A janta sempre estava à mesa e a cama feita. João comia educadamente e limpava os pratos como forma de se redimir; pensava que não fazia nada pra ajudar e que isso seria o mínimo para manter seu lado civilizado e ganhar um espaço naquela casa. Era intensamente inquieto a ponto de sumir por algumas semanas da casa da avó; no qual sempre voltava com uma explicação vazia. Da última vez João disse que estava visitando um amigo e que ele necessitava de sua ajuda, a avó consentiu a explicação e abraçava o garoto enquanto a sopa esfriava na panela. Dorotéia - a avó de João - era muito sozinha, perdeu a filha e enlouqueceu; dizia que necessitava de abraços longos – João se queixava sempre, mas abraçava.

Esse foi o último encontro que dona Dorotéia teve com seu neto; sabe-se que ela guardou remorso até a morte por ter servido sopa fria ao garoto; dizem as más línguas que ela morreu por esta causa - castigo divino, segundo as vizinhas.

Variando as casas, João morava tempos em cada lugar. Certa vez morou com gêmeas e nunca se lembrava de quem era qual; só soube que transou sempre, todos os dias, quando bem entendia – e era a única coisa que lhe importava -, com a mais bonita da noite. Se ele repetiu a mulher ou se a outra se aproveitou da situação não era algo necessário a se saber na sua visão machista. Segundo João, a mulher deveria ser feliz com o homem em qualquer situação; neste caso, dado às circunstâncias, desde que nenhuma das duas comente o ocorrido ou fique sabendo da traição, ok, tudo estava perfeito. Mas convenhamos queridos leitores que nada impede de que ele tenha se fartado das duas, já que era homem.

João só se tocou de que algo estava errado naquele ambiente univitelino quando presenciou uma discussão entre as moças. Na sala estavam as duas, incompreensíveis, a desenrolar um assunto em torno de seu nome. João sabia sim, que tinha feito uma grande merda naquele lugar. Por isso mesmo desistiu de argumentar qualquer coisa com frases feitas; pensou no que seria ‘uma tentativa de ludibriar as duas’, uma técnica que aprendeu com seu pai a fim de evitar uma tragédia, logo viu que não daria muito certo propor um sexo grupal, pois o caso era diferente e exigia uma maestria na qual nosso anti-herói não possuía.

João se desvencilhou do provável tapa de uma e espancou a outra por acidente de percurso. Pegou a mochila e deixou para trás o filho que morava com elas – gerado de outros carnavais -; o cachorro que tinha encontrado na rua e abrigado por penitência; a escova de dente; os sapatos italianos; e uma coleção de revistinhas em quadrinhos. Também deixou no chão a moça que tanto o amava, sangrando e de maquiagem borrada. Triste fim de Amélia, aquela mulher que fazia de tudo para ver João feliz.

A Amélia era perfeita em todos os sentidos. – Dizia sempre João.

Amélia era a irmã gêmea que João sempre amou, segundo ela, claro; porque para Adélia, irmã de Amélia, as coisas não funcionavam dessa forma.

Adélia gostava muito de preparar canapés para João.

Amélia gostava de limpar as cuecas do moço, de lavar e passar roupas, de perfumar a casa; não ligava para cinzas de cigarro e nem para os preciosismos de macho no cio que vez ou outra João apresentava “não toquem em meus filmes pornográficos”, Amélia obedecia. Ela tinha um hábito horrível, porém respeitável, de cheirar as cuecas enquanto as lavava, principalmente a parte da frente que exalava um cheiro afrodisíaco e a deixava em estado catatônico - Amélia punha a língua pra fora e lambia a cueca demonstrando todo o seu amor pelo cheiro forte do macho alfa.

Amélia cuidava do filho de João e fazia as melhores comidas do bairro.

Adélia contava historinhas para o menino dormir, sempre quando o pai dava uma saída. – João nunca soube disso, sempre foi ausente.

Ora, certa vez João fora morar em uma cabana, durante quinze dias, com alguns caixeiros-viajantes, a troco de pão; numa dessas noites frias ele acordou com a fricção de uma bunda em sua pelve. Ele sentiu um tesão e uma quentura, só não sabia de que bunda advinha tal requerimento sexual. A bunda já estava arreada, então João não se conteve; lascou a piroca no meio do cu daquela região glútea anônima e se fartou – Amélia não ligaria para isso caso descobrisse.

Adélia lavava os pratos e cozinhava às vezes, isso excitava João; ele se lembrava da mãe, vagamente e inconscientemente, quando ela endireitava os talheres nas gavetas. – João procurava defeitos em Adélia, não encontrava e se irritava; seu membro enrijecia freudianamente.

Fato pode ser explicado porque quando estamos dominados pelo ‘tesão fúria’ fazemos qualquer coisa– pobre coitada, Adélia foi infeliz por não ter João como marido - sorte a nossa que estamos só espiando essa história; ah, nenhum problema, o homem é mau assim mesmo, não tem dom pra muita coisa não – só para o prazer -, não ensina os filhos a pescar o peixe, isso é tarefa para as leoas – Adélia pensava dessa forma.

A verdade é que as irmãs se batiam de frente, em qualquer contexto.

Amélia manteiga, Adélia maionese. E João o pão, sovado e com pedras. Amélia mastigou João até sentir a pedra e agora está triste, sem ele e com marcas de tortura. – nada disso teria acontecido se fossem mais unidas as duas; era o que pensava João.

Como de costume o homem sempre vence, e as mulheres desunidas degradam.

Por isso mesmo, lei para tudo isso; lei e exigências: Uma Amélia para a cada nação; uma Amélia armada e treinada, para cada distrito.

Adélia não sabia karatê, mas sabia correr na hora certa.

Saibam que todos os amigos que precisam da leitura para serem felizes são os mais procurados pelo nosso bastardo João. Não fiquem com medo de imaginar o quão insignificante seria se nosso anti-herói morresse nesse exato momento nesta história. Não, definitivamente não; eu não seria capaz de matar uma mosca pra me apoderar do final desse inimigo nacional.

Atenho-me a dizer que ele agora está em um porão, bem escondido, entre linhas e linhas de processos, esperando uma ordem judicial.

E prossigamos sem tumultos, isto foi apenas um roxeado.

E que não seja arquivado. – pedido feito por Amélia à delegacia da mulher.

3 comentários:

Mirella de Oliveira disse...

Moço, quanto talento!

Mas, cá entre nós: Será que "Amélia é que era mulher de verdade?"

:)

Michele P. disse...

Athila

Juro que fiquei pasma! De tudo o que já li escrito por teus punhos, este foi o conto mais elaborado!
Aplausos meus!!!!!

Beijos

Gleidson Gomes disse...

Adorei Athila!

Pela temática, pela forma como contruíste o texto e as personagens em si, pelo ritmo delicioso da narrativa!

Muito bom mesmo!

Abs