Conteúdo adulto

domingo, 31 de julho de 2011

À Psicóloga

João estava prestes a consolidar a maior de suas peraltices, ele queria misturar elementos e fazer um chá para tomar, pois ele viu sua mãe Maria preparando o café e tomando junto com a vizinha fofoqueira mais próxima daquele cortiço, situado nos arredores de lugar incompleto, mas com indícios e achados relevantes; tão relevantes que João nem se daria da dimensão em que sua história iria levar.

Sorrateiramente, João se lembrou de que seria seu primeiro dia ao psicólogo. Ele tinha se esquecido totalmente que ontem, ele acabava de enfiar o nariz da coleguinha de maternal na sua pica. Tinha sido pego pela professora em flagrante, enquanto gêmeos se amavam no banheiro implicitamente - esses sim se safaram dos banhos de pimentas que as professoras aplicavam nas crianças, mas não vem ao caso. Fato é que João iria entregar um bilhete da última sessão a pedido da psicóloga. ‘Quero que você desenhe seus melhores amigos.’, foi o que ordenou a senhorita recém-formada.

Jocasta, a psicóloga se assustou com o bilhete mal criado e mandou que a criança escutasse toda a coletânea de discos de seu mentor favorito depois de Sócrates; o Larb La gusta, líder de uma seita que possui uma música com teores xiitas.

Bom, a carta será divulgada agora, lembrando-se que qualquer semelhança com a realidade, é sim, uma mera coincidência, todos os personagens citados foram criados a partir da cruel sintonia existente entre a realidade da vida e o ficcional.

'Carta à psicóloga – Fervereiro de 1975

Quando estava prestes a consolidar minha calmaria me deparei com um inseto muito asqueroso, não me contive e declarei lhe um breve sorriso. ‘Oi senhora baratinha’- disse exatamente à sua pele quitinosa - ‘mas me desculpe cascuda, vez ou outra entraste em meus armários, dentro das camas de madeira, em colchões ortopédicos, no dente das caveiras e dos mal asseados, nas pranchetas e tubos de ensaio das universidades, nos caldos e temperos, até na farinha láctea, na mesa de todos os bêbados, no A.A, na música com Perruche, no vidros de groselha com ovos de inseto, na mãe que criou tarde, no pai a ser identificado, na prancheta do homem de cabelo branco e olhar carente, na avó paterna que morreu velha e gostava de balas, na babá do primeiro amante , na empregada ausente, na motosserra que derrubou a árvore que derrubou a casa que derrubou a bolsa de nova Iorque, nas torres gêmeas e agora foi para os Ianques, precisamente no lado branco europeu, entre os românticos de Londres.

Todos têm atos

Crases

Acentos

Indícios

Artes

Todos necessitam de partes maiúsculas para existirem

Todos os que pude notar

Mais dramáticos a vácuo

Muita palavra e pouca promessa

Nunca existiram

Nem existirão

E se; quando somente hão de concordar

Com as grafias tortas

Da redação

No sacos de vime

No mercado da vida

De merda

Da bosta

A romântica alienada gostava de me bater na escola. Um dia ela chegou e me deu um beijo, não gostei.

Os dentifrícios em frigoríficos à priori do café.

Necessariamente eu já estava completamente nu naquela situação. A mim gostava sim; todos os dias encontrar meu querido primo só pra poder olhar naquele rosto safado a satisfação de ter em minhas mãos sua inocência. Sabia que fazia parte de um jogo, mas nunca poderia imaginar que seria uma peça importante para todos aqueles garotinhos insaciáveis – acho que o fato de serem pequenos homenzinhos esclarece todas as brincadeiras. Hoje sim, eles são pais de família condecorados – alguns, claro - muitos nunca chegariam a esse patamar, assim como eu; mergulhados em outros projetos. Engraçado como agora suas esposas troféus - assim como todas as princesas que sonhavam serem meninas – SÃO AS QUE CHEGAM MAIS PRÓXIMAS DO CASTELO.

Indexo-lhe a foto mais expressiva de nosso primeiro encontro:'

Desde então se casaram e tiveram filhos.

2 comentários:

Gleidson Gomes disse...

Esse agora é teu, Átila? rs

Meio confuso, tento me entender comigo mesmo!
Imagens, sensações, achados íntimos.
De minha parte, não há nada a dizer.
Mas lembro-me de Clarice, pairando aí no texto também: sentir ultrapassa qualquer entendimento!
E foi só o que consegui fazer: sentir!

Marcos Montanhês disse...

Noto que a ele faltava um pouco de autoridade, e a ela, um pouco de liberdade. Lógico! :D