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quarta-feira, 13 de julho de 2011

A moça do prostíbulo e outros delírios

Parado nu e com os pelos erriçados pelo frio, olhou fixamente para o espelho trincado do banheiro. Desajeitadamente removeu os últimos vestígios da barba. Uma gota de sangue escorreu perto da boca. Pestanejou:
- Merda de lâmina!
Abriu a torneira e deixou que a água fria lavasse a mancha vermelha.
Ainda sem roupa, caminhou pelo corredor em direção ao quarto. Agarrou o telefone e discou. Do outro lado da linha aquela voz que ele reconheceria a quilômetros de distância:
─ Delícia acompanhantes, boa noite.
Prendeu a respiração. As pernas amoleceram. Um longo minuto de silêncio seguiu, enquanto o coração perdia o compasso.
─ Alô?! – Ela repetiu, já visivelmente irritada.
Depôs o telefone no gancho.
Ele nunca tinha se deitado com nenhuma mulher sem pagar, mas esta, ele sabia: não estava à venda. - Com tantas outras disponíveis ele fora se apaixonar justo pela atendente da birosca?!-
Lembrou-se da primeira vez que a viu. Tinha ido até a casa com alguns amigos para uma orgia grupal. Seria uma noite de libertinagens. As putas caminhavam pela sala escura com suas saias curtas e suas coxas suculentas à mostra.
Mas havia algo naquela menina de rosto cheio que o atraía. Não conseguiu tirar os olhos dela a noite toda e enquanto os outros caras se afogavam em fluídos e gemidos, ele bebia encostado ao balcão.
Não trocou palavra com a moça, mas depois deste episódio não conseguiu mais esquecê-la.
Noites e noites iguais àquela se repetem e ele não entende porque carga d’água ainda não tentou comê-la.
Diante destes pensamentos, sentiu-se patético, mas estava perdido por aquela fantasia. Precisava de alguma maneira tocá-la. Imaginava-se apalpando-lhe os seios fartos, mordendo-lhe os lábios carnudos e lambendo a silhueta disforme, enquanto ela gritava palavras obscenas. Ao imaginar tais coisas sentiu o membro enrijecer. Tateou-se. Um calor subiu-lhe nas faces.
Fez um esforço sobrenatural para desviar o pensamento daquela criatura, mas já não podia livra-se dela. Estava sexualmente apaixonado.




5 comentários:

Mirella de Oliveira disse...

Não vejo a hora dele pegar essa moça de jeito! "Sexualmente apaixonado" é ótimo! Eu me identifiquei totalmente com o termo! hehehehe Mi, posso te pedir uma coisa? Posta sempre fotinhos DELICIOSAS como essa, tá??? Porque peloamordasanta que coisa linda, hein??? Beijo beijo beijo

Átila Goyaz disse...

Michele! Texto muito bom, história concisa mosrando a problemática do homem apaixonado.
Ai...sério, depois dessa, acho que ele não conseguiria dormir de pau duro.
heuheueh
bjus

João Fco. Viégas disse...

O eterno desejo pelo que não podemos ter...

Somos todos tão humanos...

Marcos Montanhês disse...

Mas ele provavelmente acordaria de pau duro, Átila, se resolvesse ser menos apaixonado e mais amoroso. Haeuhauehu. Quando acordamos é a melhor hora pra se estar de pau duro. Acompanhado, então, é impagável. Conto instigante, Michele.

Gleidson Gomes disse...

Nossa Michele, belo conto.
Acho que as piores paixões são essas sexuais, pela materialidade delas. Se sabe, se vê e se toca o que se sente!