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terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu sexo

Publicado originalmente em 24/01/2011 no blog Reflexões Subsistenciais.

Gotas cálidas sobre a pele translúcida
Sob a atmosfera de sentimento hermético que penetra, se aprofunda dilatando a ferida do vazio que pretende-se preencher.

Olhos amantes brumados
Pelos sortilégios do quarto escuro
E a solidão do prazer sobre a cama:
Prazer pelo estado febril, delírio,
Pela falta de razão.

Sexo: abertura, sexo: sangue jorrando, sexo: cicatriz, sexo: cicatrizante, sexo: balsâmico, sexo: tempero de intempéries.

Insondáveis os desígnios
De curiosidades pueris
Tão imorais.

Sexo: carícias licorosas eliminando o fel intrínseco,
Esfacelando a carapaça branca.
Corpos máquinas de fios verdosos,
Engenhocas desparafusadas;
Corpos fendidos, corpos fundidos, alma ígnea metálica

Até bifurcar-nos,
Coagularmos
Causticados pela realidade maçante.

Eu títere sobre as mãos da
Perniciosa benevolência
Do descalabro humano:

Monstro sociedade,
Perene maldição.

3 comentários:

Michele P. disse...

Felipe

Poema-protesto.
Fez-me refletir.
Gostei!

Beijos

Átila Goyaz disse...

Felipe, grande!
Gosto muito das imagens desse poema!

Marcos Montanhês disse...

Faço minhas as palavras da Michele.
Bjo, Felipe.