Conteúdo adulto

terça-feira, 26 de julho de 2011

Luz Vermelha

Postado originalmente no blog "Reflexões Subsistenciais".

O silêncio protuberante das noites azuis do verão
Deglutina-me com uma fome de mil dias.
Raspo a garganta do desvalido mundo que descansa sob o clarão da luz vermelha, amada luz amante,
Desço pelo esôfago da luxúria em direção ao âmago das minhas transgressões:

Mundo ácido e inconstante,
Escuro, obscuro,
Que digere a todos os lascivos desejos desse animal eu, ser humano,
Expelindo-os violentamente,
Com a beleza deletéria de um Kilauea.

Mundo abismo que clama evidente,
Dá-me clarividência, torna-me rebento feliz,
Pelas terminações nervosas do seu terreno em declive
Eu caminho perdido, perdido, perdido
Perdido e com um riso no rosto.

O silêncio protuberante das noites azuis do verão
Quebrado num som gutural, melodia que desvaira a dizer:
- Perde-te, perde-te, perde-te. . .

3 comentários:

Átila Goyaz disse...

O mundo responde sempre, é só prestar atenção.
Bjus

Gleidson Gomes disse...

Descer as escadarias do eu em busca de amor ou amantes talvez seja uma forma de se encontar, perdendo-se.

Marcos Montanhês disse...

Clama este poema por possíveis soluções? Parece-me que sim, e os comentários dos imputáveis reforçam a impressão. Mas pensando bem já o acho solucionado por si mesmo. Mundo ácido, inconstante, o vulcão que esculpe a montanha; mundo básico, abismal, evidente, constante, em declive. Comodismo e transformação. Tradição e inovação. Tá tudo ae. Encontrar-se para se perder, para se estar uno com todas coisas. :)