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terça-feira, 12 de julho de 2011

Cores

De repente o quarto, um cubículo branco com apenas a cama e dois criados-mudos velhos, transformou-se em uma paleta de cores; cores que dançavam harmoniosamente como que coreografadas, frente ao par de olhos que as assistia agitado, passeando de um lado para o outro do cômodo. A fumaça azul do cigarro, que ele minuto após minuto levava aos lábios com os seus dedos magros e trêmulos, que pouco antes passearam ávidos pelas dobras do meu corpo, se elevava ao teto em movimentos lânguidos e circulares, enquanto os raios dourados do sol que trespassavam os vidros da janela acariciavam morosamente o lençol branco, sobre o colchão parecendo completamente rendido ao calor que lhe oferecia o grande astro, imponente no céu de fins de fevereiro.

Com a cabeça disposta sobre o seu peito coberto de pelos, tendo nossas pernas entrelaçadas umas nas outras debaixo do lençol, mordi-lhe o mamilo. Para provocá-lo e provocar ao silêncio que nos abraçava juntamente com os móveis. Pronunciou um palavrão. Puxou-me pelos cabelos com leveza para voltar-lhe os olhos e, com um sorriso preso entre os lábios onde repousava o cigarro, perguntou:

- Quer mais?

Eis o motivo pelo qual eu o amava: conhecia os meus sinais e tornava desnecessárias quaisquer palavras. Logo deu-me - quase que como um afago - um tapa no rosto, segurou meus punhos com força e subiu em cima de mim com olhos chamejantes que, aos poucos, enquanto deitava o seu corpo sobre o meu, se aproximavam das órbitas alegres que eram os meus naquele instante. Fechei-os e então a sua língua percorreu o meu pescoço vagarosamente. Subiu até a orelha direita e parou. Colocou as duas mãos em torno da minha cabeça e passou a acariciar os meus cabelos. Suas pernas espaçavam as minhas. Abri os olhos.

Ele mordeu os meus lábios com tranqüilidade. Passou a língua muito úmida entre eles. Fechou os meus olhos com uma das mãos e sussurrou baixinho no meu ouvido:

- Geme. Bastante.

Os polegares apertaram os meus mamilos enrijecidos com força, enquanto a sua cabeça deslizou pelo meu tronco, agora desnudo, e a sua barba causou-me cócega ao passar pelo abdômen. Sorri, contraindo os lábios. Como a sua barba me excitava quando arranhava a minha pele! Disse:

- Safado! – e um sorriso maroto despontou dos lábios pequenos que, semelhantes ao sol do ocaso, desapareceram aos poucos entre as barreiras que eram as minhas pernas.

Quando senti a sua língua percorrer avidamente o meu sexo, contorci-me sobre a cama e agarrei o lençol com força, com as duas mãos. Gemi com intensidade e ele deu-me um tapa na parte externa de uma das minhas coxas. Segurei-o pelos cabelos e pressionei a sua cabeça contra o meu corpo, dizendo-lhe em êxtase:

- Chupa! Com mais vontade.

E sua língua deslizou suave pelo sexo exposto, depois subiu ainda mais úmida. Subitamente parou. Por entre as minhas pernas o vi esboçar um novo sorriso. Ficou em pé sobre a cama e acariciou seu membro, muitíssimo enrijecido. Olhou-me e levou o cigarro aos lábios novamente. Por fim, disse:

- Não, você chupa com vontade!

E ajoelhou-se sobre o meu corpo, trazendo seu membro até os meus lábios. Não me permitiu tocá-lo, pois mais uma vez segurou meus punhos com força. Ao sentir seu pênis pulsar com as peripécias da minha língua ávida enquanto ele o retirava e novamente o colocava dentro de minha boca, movimentando rapidamente a lombar, urrou de prazer e disse:

- Continua me chupando, bem gostoso.

Ele me masturbava em um ritmo constante enquanto eu cobria o seu membro de saliva. Meu corpo contorcia-se sobre a cama todas as vezes em que me lançava um olhar de extrema satisfação. De repente caiu o seu corpo novamente sobre o meu e voltou a passear com a sua língua grossa o meu sexo. Seu membro continuava firme em minha boca e pulsava com mais intensidade. Ao passar as suas unhas pela parte interna de minhas coxas fez-me gemer alto, ao que olhou-me e disse:

- Geme mais alto, geme pra mim.

Sua língua percorreu depressa os contornos do meu sexo. Após alguns minutos sentou-se sobre a cama e pediu para que eu sentasse sobre o seu rosto. Seu peito começava a suar e o cheiro que exalava me excitou ainda mais. Ele me lambia com ferocidade, e quando introduziu dois de seus dedos no meu ânus fez meu corpo todo se arrepiar. Com a sua outra mão ele se masturbava com muitíssimo prazer, e seus olhos ansiavam pelo meu gozo.

Chegou ao orgasmo primeiro, no entanto. Gozou forte e fartamente sobre o meu rosto e, com os dedos trêmulos, conduziu boa parte dele até a minha boca depois. Na minha vez, lá estava a sua a esperar pelo meu. Lambeu-o por completo e me beijou longamente. A paleta de cores que era o quarto aos poucos foi enegrecendo com o peso das pálpebras. Adormecemos como antes nos encontrávamos: com a minha cabeça disposta sobre o seu peito, agora molhado do suor de ambos.

3 comentários:

Átila Goyaz disse...

Esse texto seu é um deleite, um primor; sua simplicidade em mostrar cada ato me assusta, não só porquê você é jovem e soube se colocar 'amadurecido' em um texto nesse estilo, mas por realmente enxergar a beleza da cena, os contrastes formados.
Já disse e agora vou dizer publicamente, você é um príncipe com as palavras!

Parabéns Felipe!

Michele P. disse...

Felipe

Acompanho teu blog e sempre admirei a familiaridade e intimidade que você tem com as palavras. Obrigado por aceitar nosso convite e premiar-nos com este conto!

Um abraço

Mirella de Oliveira disse...

Uauuu!! Belo texto! Adooooro barba arranhando! :x