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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cinco corpos e um desejo

Maria, Guilherme, Antônia, Pietra e Henrique. A celebração do amor, o jubilo do gozo, a liberdade escancarada ao prazer. Cinco corpos numa cama. Dez mãos descontroladas. Um desejo realizado. A descoberta do sexo coletivo, a troca de caricias em grupo, libido em êxtase, a entrega total... Não, pára. Não, pára. Não, pára...

Era a primeira vez que os amigos faziam uma orgia. A ideia havia sido cogitada há tempos, mas só agora se realizava. Dez pernas descontroladas. Enquanto Maria beija a boca de Pietra e Henrique morde a bunda do Guilherme, Antônia se deleita masturbando Henrique ao mesmo tempo em que chupa a vagina de Maria. A troca de posição é constante. Agora é Pietra que ocupa o lugar de Antônia, enquanto é penetrada por Guilherme, que é penetrado por Henrique. Não, pára. Não, pára. Não, pára... Maria goza pela primeira vez.

Em pensar que tudo isso começou com a ideia de um blog coletivo sobre contos eróticos. No início os amigos tinham apenas uma relação virtual, mas com o passar do tempo as relações foram sendo geograficamente mais estreitadas e agora, mais do que nunca, estreitadas entre quatro paredes. Cinco bocas descontroladas. Antônia morde a bunda de Henrique enquanto lembra o quanto era recatada antes de escrever para o blog. Guilherme continua sendo penetrado...  O gemido de Pietra é ouvido em toda a vizinhança. Maria goza pela segunda vez.

Todos estão sóbrios. A sobriedade é mesmo uma loucura, pensa Henrique. A cama é pequena para tanto prazer e eles ocupam todo o chão do quarto, que também fica pequeno. Não existe culpa nem culpados, somente gemidos e entrega. Não, pára. Não, pára. Não, pára... Agora o gozo é coletivo.

Maria comenta que aquele momento poderia inspirar um conto. Guilherme liga o computador e ainda com as pernas bambas e o coração acelerado, começa a escrever. Ele sugere que cada um escreva um parágrafo. Um texto feito a dez mãos, cinco corpos nus, bocas descontroladas, pernas enlouquecidas e cheiro de orgasmo. A entrega começa mais uma vez. E a cada pausa, um deles escreve este conto.

6 comentários:

Átila Goyaz disse...

Não sei...mas vejo um brilhantismo em você cara!
Você - sem querer ou querendo - fez uma referência a Drummond na parte "Agora é Pietra que ocupa o lugar de Antônia, enquanto é penetrada por Guilherme, que é penetrado por Henrique".
Me surpreendi, parabéns!

Marcos Montanhês disse...

Que beleza de narrativa, seu narrador. :P

Mirella de Oliveira disse...

Oxa, mas que put... digo, suruba, hein? hahaha
Totalmente politicamente incorreto... Mas imputável, sempre! :)
Curti o texto.

Michele P. disse...

Adison

E quando eu penso que o autor anterior exagerou no cenário e nas personagens, vem outro e supera...rs

Bem-vindo, meu caro.

Bjs

Gleidson Gomes disse...

Égua César, que é que é isso menino?
Muuuuuuuito bom!!!!
Do que andas escrevendo ultimamente, esse conto é o melhor!
Sacada genial do contexto, interrelação com personagens reais, ritmo de narrativa e um certo quê de final surpreendente!
Sem querer me lembrei de Caio F.! rs
Ahazou sumano!

Leandro disse...

Wow!

A narrativa é surpreendente. Ainda pelo meio do texto achei que poderia render mais na descrição - e nas referências de Drummond que eu nem sei se foram intencionais - mas caminhando para o fim do texto percebo que foi precisa.

Brilhante nas pontuações também, tornou o texto absurdamente mais envolvente.

Parabéns.