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sábado, 30 de julho de 2011

BILHETE

(Isto que chamo de bilhete foi encontrado numa rua de Belém, não lembro bem se numa calçada ou próximo de alguma esquina. Talvez seja apenas um trecho de algo maior, ou um pedaço doído de alguém. Talvez um amor exagerado, desses que nos fazem querer escrever o que se sente. Amar é perder-se, e quem quer que tenha escrito isto já não sabia mais o caminho de volta. Organizei em versos, no entanto acredito que sentir é maior do que qualquer forma. Quando encontrado, o ‘bilhete’ estava amassado e meio amolecido de chuva ou lágrima. As letras estavam um pouco borradas, porque o papel era um daquele tipo lenço, de bar ou lanchonete. Qualquer um pode tê-lo escrito, mas com certeza foi alguém que viveu estas palavras antes de prendê-las no papel. Há um coração que sangra em cada palavra aqui deixada)


Te quero mesmo podre
Fedendo à coisa passada
Te quero mesmo com sabor de nada

Te quero mesmo sem valor algum
Sem amor nenhum
Mesmo eu sangrando a cada dentada.

5 comentários:

Adison César Ferreira disse...

Muito bom, meu caro. Gostei de duas coisas; primeiro dessa suspense entre saber o que é realidade e o que é ficção. Segundo, desse ponto de vista decadente do amor. Lembra a segunda geração do Romantismo :)

Marcos Montanhês disse...

Realmente doído. Talvez como o fóssil, a posse mágica do último poema que postei? Vestígios de algo que já foi.

Sandra Ribeiro disse...

Nossa, que coisa intensa e intrigante!

Michele P. disse...

Gleidson

Genial. Primeiro porque você criou uma expectativa na introdução, segundo porque foi extremamente original na forma como apresentou o texto.

Palmas para você, que merece!

Beijos

Gleidson Gomes disse...

Caros imputáveis,
este blog é inspirador!
É um prazer dividir esta página com vcs!

E querida desconhecidsa (para mim!) Sandra: obrigado pelo comentário e volte sempre.

Abs