Conteúdo adulto

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nós Três

Seis horas da manhã. O despertador toca. Ele acorda. O dia amanhecera com chuva. Levanta, vai ao banheiro, escova os dentes, faz a barba, se masturba pronunciando o nome do melhor amigo, toma banho e em seguida começa a se arrumar para o trabalho.
Calça as meias, os sapatos, veste a melhor camisa, o terno mais novo, a calça que comprara no dia anterior e põe a gravata que ganhou de presente da esposa. Se olha no espelho, ajeita a gravata, arruma o cabelo e começa a falar sozinho, repetindo cinco vezes a frase que ensaiou durante toda a semana. Eu quero o divórcio porque estou apaixonado por um homem.
Seis e meia da manhã. O despertador toca novamente. Ela acorda, faz o sinal da cruz, olha para o lado e não vê mais o marido. No lugar dele, duas malas de viagem a fazem companhia na cama. Pergunta para si mesma o que está acontecendo, mas não consegue responder, desliga o programador automático do despertador e volta a dormir. Detesto quando ele não desprograma o relógio dessa merda.
Seis e quarenta e dois da manhã. Ela é acordada pelo marido. Ao abrir os olhos vê um homem todo arrumado segurando duas malas e com um sorriso de medo. A convivência de sete anos de casados a fez identificar cada reação dele. E o sorriso de medo era sinal de que ele tinha algo muito importante para falar.
Fechou os olhos novamente e perguntou o que ele queria. O divórcio. Ela abriu os olhos. O quê? Isso mesmo, eu quero me separar de você porque estou apaixonado por um homem, respondeu. Ela ficou boquiaberta, por alguns segundos pensou que estava sonhando, olhou no fundo dos olhos dele e disse que não havia entendido. O divórcio. Não havia mais motivos para estarem juntos.
Durante a conversa foi revelado que o tal homem que ele se referia era um amigo em comum do casal. Ela sorriu aliviada. Ele não entendeu a reação dela. O homem que você está apaixonado é meu amante há mais de um ano, disse a esposa. Ele ficou boquiaberto. Ela pediu para ele desarrumar as malas e disse que não havia mais motivo para o divórcio. Os três poderiam morar juntos e tudo iria se resolver.
A campainha tocou. Lá fora o amigo em comum. Havíamos combinado de ir juntos para a nossa nova casa agora pela manhã, disse ele. Isso não será mais preciso, já que seremos um triângulo amoroso do bem, respondeu a esposa. Com muita serenidade, ela pede para o marido tirar a roupa e esperar na cama enquanto ela vai receber a visita. Ele obedece. Sempre sonhou em fazer sexo a três.
Assim que ela abre a porta da casa, o amigo toma um susto. Ele esperava a recepção do marido. Ainda de camisola e com a mão direita para trás, escondendo algum objeto, ela diz que está muito carente e pede um abraço demorado para o amigo em comum. Os dois se abraçam e ela sussurra em seu ouvido que o ama muito, mas jamais vai perdoar uma traição. Ele finge não entender e diz para ela repetir. Eu fui traída por vocês dois, respondeu. Antes do amigo reagir, ela aproveita a oportunidade e enfia uma faca na costa dele. A perfuração o mata na hora. 
Com muita frieza, ela sorri, retira a faca enfiada na costa do amigo, limpa o sangue com a própria camisola e volta nua para o quarto, dizendo que o amigo foi embora, mas em breve os três vão morar juntos. O marido agradece a compreensão dela e diz que não sabe como agradecer. Os dois transam. Ela sai do quarto e pede para ele fechar os olhos e contar até dez, enquanto preparava uma surpresa. Ele obedece. E antes dele chegar ao número sete, ela o mata, utilizando a mesma faca que matou o amigo. Após se certificar que ele está morto, ela sorri novamente, empurra o corpo da cama, faz o sinal da cruz pela segunda vez e volta a dormir. 

domingo, 30 de outubro de 2011

Molho Mulher

Meus sinceros abraços cheios de razões a todos os que passarem os olhos por aqui. Sabem, os anos passam e a velocidade dos carros aumenta na medida dos séculos – isto é um fato indiscutível, até posso julgar que dentro deste ato, este fato, é desnecessário-, o que é bom para a humanidade é falar pouco! Parece que estamos evoluindo, e para melhor, posso assim dizer. De uma carroça a 134 cavalos e alguns séculos, isso é uma verdadeira evolução tecnológica – sim, claro, mas voltemos ao assunto chave.

Somos inteligentes, mas não sabemos fazer de tudo, somos verdadeiros aprendizes- por isso e para isso existem especializações, cadeiras e os banhos-maria. Por exemplo, quando vivemos a partir de nossas discussões chegamos ao ponto imutável da controvérsia ou do apoio. E daí, a partir desse princípio nada lhe é cobrado – excetuando os tratados de acordos-, mesmo que aconteça o abraço corporativo ou um tabefe discordante, o que acontece é que as circunstâncias que levaram este desfecho estão pra ocorrer na hora certa.

Assim nascemos. Assim nasceram os times de futebol e os países foram demarcados geograficamente. No reino quadricular em que vivemos a mulher sempre será a rainha do xadrez; e só são porque mulheres têm poder. Não preciso indagar ou discutir sexualidade pra afirmar uma verdade. Deixa-me ser mais claro: a resposta para todo o enigma está entre as ancas e no óvulo que se amenorréia pra dar lugar ao nada, ou em todas as gestações parietais que incidem na dor do parto, até mesmo no aborto clandestino ou espontâneo. O sangue corre ao nascimento precoce e um questionamento da vida dá seu primeiro choro. É vencida a barreira do luto.

Deixemos as dores do parto para as mulheres mais fortes, as que pariram e sustentam cinco filhos - então são como cadelas no cio a uivar, se fossem irracionais.

Mulher, que de tudo necessita é somente o amor, mães de alma limpa e de corpo dolorido pela discordância dissonante de Eva. Homem, que de nada adianta procurar pelo amor se o amor está no nascimento e no abraço de Eros a Philos, e que de onde Ágape se farta nos becos clandestinos, daqueles de boteco e batom vermelho. Fiquem sabendo homens, que não nascerá nenhuma semente sadia dessa leva boêmia.

A calcinha esquecida dentro da mochila do rapaz e o modess que foi comprado justamente para deixar a mulher feliz após o uso ininterrupto do DIU. Mulher, que delas se arrancam crianças pra ficarem em creches, ou por elas que cuidam da casa e mesmo atarefadas querem e conseguem emprego.

A força bruta de uma bolsada após a cantada trivial do operário, mulheres são como jóias dinamizadas por um sistema de natalidade feito andaimes, ora pedras brutas ora lapidadas. Sem a mulher não há vida, por enquanto; até que a grande classe científica aprenda a tecnologia da criação divina, o que seria um espanto soberbo e, de acordo com minha lógica, eticamente abominável.

Uma casa sem uma mulher é como uma rua dominada por cães raivosos. Ouse passar de bicicleta por esta rua sem a delicadeza de uma mulher e assine sua mordida em forma de arcada indomesticada, contraia sua raiva e morra de ódio.

Obtenha dicas.Trate as cólicas humanas com o cálice sagrado da amizade. Reporte suas notas em vôos secretos de intimidades. Intimide-se ao erro e aprofunde sua capacidade explicativa e intuitiva. Só não se perca pelo caminho do ser, pois destas cruzadas já se formaram poderosas viúvas negras e mariposas, classificadas como esposas inférteis. Diga sim a adoção de tomadas decisivas e faça da sua vida um espetáculo ou uma espécie de tratado de paz. Não revide, retruque nem divida fofocas, compartilhe suas idéias mais sórdidas com os grupos de esquerda e verás a verdade desdentada e deitada na cama. Entre em fúria com olhos de lince e limpe a estante de seus troféus imaginários. Deixe o amor de molho e torça pela vitória. Enfrente uma briga. Siga em frente e obtenha glória.

Um brinde à mulher e às suas conquistas, que nunca deixem de lado a beleza e a maternidade. Que nunca deixem o feminismo dominarem suas cabeças e sim que todas vocês dominem suas essências particulares.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Despedida

Caros Imputáveis

Estou me despedindo do blogue. Infelizmente o trabalho, projetos e estudos estão roubando meu tempo. Encerro meus abusos literários com um conto. Espero que gostem. 
Nos encontramos em breve, em uma mesa de bar qualquer desta maravilhosa blogosfera! 
Afagos no cabelo .
A imputável Michele P.

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A Lua Cheia

Estávamos sozinhos pela primeira vez. Era noitinha e a rua deserta.
Perguntou-me se estava nervosa. Respondi que não, mas ele quis comprovar. Colocou uma das mãos sobre meu seio. Retruquei que meu coração não ficava ali. 
Sorriu. Sorrimos.
Beijou-me o pescoço, a orelha, colocou a mão por baixo do meu cabelo. A língua quente viajava pelo meu colo. Abriu a blusa, tocou o bico dos seios. Rijos.
Beijou um. depois o outro. Com volúpia. Lambia, apertava, beijava. Era bom...
As mãos. Sempre elas. Marotas, indisciplinadas... Apoiou-as nos joelhos, foi erguendo o vestido até chegar as coxas. 
Um comichão estranho.
Afastou a calcinha. Os dedos fizeram todo o trabalho.
- Gostosa. 
Foi o que ele disse.
Olhei para o seu sexo. A calça quase explodindo. Quis apalpar. 
O sangue do seu corpo parecia estar todo concentrado ali. Toquei. Delicadamente, depois mais firme. Ele suspirou profundamente, em êxtase. Beijou-me.
Por alguns minutos, brincamos com nossos órgãos como duas crianças curiosas.
Depois, deitei no seu ombro. Olhei pela janela. A Lua alta. Cheia. Como nós. Como nosso amor. 
Era nossa melhor fase. Ainda não conhecíamos a Minguante.







segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Primeira Vista


Alguém acredita em paixão a primeira vista? Eu acredito. Aconteceu comigo.

Foi na sexta série. No primeiro dia de aula reencontrei com meu melhor amigo daquela época, Joilson. Ele foi logo me dando um aperto de mão firme e me puxando pra ir ao segundo piso da escola.

"Vamos lá em cima que tem uma baita duma gata lá", falou ele com o sorriso maroto e um entusiasmo que só ele tinha.

Quando chegamos lá, com um frio na barriga confirmei que ele não havia exagerado. Era realmente linda. Uma morena com lábios carnudos e olhos verdes.

Nos olhamos ao mesmo tempo. Meu coração pulsou imediatamente, e só anos mais tarde eu fui entender que aquele sorriso oferecido a mim com cobertura de olhar docemente delicioso era o sinal de que o coração adolescente dela também pulsou ao me ver.

Não lembro de todos os detalhes, mas lembro de nos colocarmos numa típica situação de adolescentes enamorados, em que muitas brincadeiras são feitas como uma forma de reagir ao sentimento naquele momento completamente alienígena, principalmente para os meninos que amadurecem bem mais tarde que as mulheres. O Joilson, sem vergonha que era, começou logo a tirar brincadeiras com ela, e me incentivava a embarcar nelas. Numa dessas brincadeiras-de-adolescentes-sem-jeito, findamos ele e eu cada um segurando um dos braços dela. Ela o repeliu com uma certa ignorância, e a mim não. Segurou na minha mão e sorriu. Eu fiquei sem graça pelo Joilson, que logo reconheceu o que estava rolando, e ao mesmo tempo fiquei com uma sensação de paz no coração enquanto largava suavemente os dedinhos dela.

O que fiz depois? Ah eu... lógico que eu... fugi de lá (também não foi correndo!).

Minutos depois alguma amiga dela foi à minha sala, e sem o professor perceber me disse nítidamente: "A Dani te ama!".

Quem é Dani? O que é amar? Será que Dani é aquela morena de olhos verdes que me olhou daquele jeito intimidador? E por que eu me sinto estranho quando estou perto dela?

O amor de adolescente não é lindo? É mesmo. O amor de um adolescente tímido é tão inexplicável e sublime quanto qualquer outro, mas bem mais assustador

Como podem imaginar, eu não aproveitei essa paixão. A beijei, mas por não ter a mínima maturidade pra entender que estava apaixonado, fugi dela como eu pude. Fui um "bixodomato" minha adolescência inteira. É pena mesmo. Mas aquele primeiro encontro, aquele primeiro olhar, aquela sensação desvirginadora de beijar alguém que quer mesmo seu beijo, são coisas que marcaram muito a minha vida; lembranças que guardo no meu relicário de sensações lindas.

Minhas últimas palavras eu gostaria de dedicar à Dani, que provavelmente nunca vai ler, mas temos que acreditar no milagre da internet:

Dani, se eu fui o primeiro a te beijar, seus lábios foram os primeiros a me fazerem levitar. Eu vivi e você também deve ter vivido muitos amores, mas à primeira vista, só aquele encontro, só aquele olhar nos proporcionaram.

Beijos incandescentemente adolescentes!

domingo, 23 de outubro de 2011

A Família Laranja ou os laranjas da família

A menina de bronze não era perfeita, mas tinha suas qualidades. O menino de ouro também, mas estava valendo muito naquela cidade. A mãe regulava a família e tentava separar o passado da derrota, feito um relógio desequilibrado. O pai trabalhava e só queria saber de grana, grana e graça. Pela sala a menina de bronze dançava extasiada. Dançava e não sabia parar, e nem queria saber, só a solar. Seus reflexos perfeitos que doíam na alma, dos pés à cabeça. O equilíbrio do balé que acometia a deformidade humana da beleza, e a busca pela perfeição.

“Foi um bicho de pé que tomou conta de sua infância”, era o que dizia sua mãe na primeira entrevista que deu para um jornal local. “Mas minha filha ainda têm muito que aprender”, completou. Agora ao lado dela, a mãe dançava, tentando consertar seus erros, professando sua ignorância física de atleta escolar. A dança das duas não era ritmada como balé clássico, era sim um rock. A menina de bronze “foxtroteava” - posso assim dizer - enquanto a mãe valseava um movimento imperfeito; eram duas estrelas de cinco pontas que sangravam pelos natais passados. Duas estátuas belas que certificavam a existência de uma beleza perfeita, divina e inviolável; e sua ausência no recinto.

Hora do rush. O pai chegava à sala, cansado. Momento família. Ele apresentava seu uniforme de operário todo engraxado; tirava os chinelos e alongava os pés cheios de calos. Enquanto ele se esticava - do mesmo modo que obedecia as regras de tirar os chinelos para adentrar a casa limpa - mandava todas elas, as mulheres de bronze, girarem dali e espanarem/espionarem a cozinha.

A Tv da casa era sintonizada em comerciais de margarina. O pai então punha a esticar todas as suas extremidades até o sofá, onde o filho mais novo inventava jingles para cada produto televisivo, sendo que todas as músicas eram iniciadas e continuadas em ré menor, pois era a nota mais fácil que ele tinha aprendido na revistinha de música. Sim, esse era o menino de ouro, dizia o pai todo orgulhoso. Do jingle do suco de laranja que todos cantavam em uníssono. E pra vocês terem uma ideia: nem ele, o garoto prodígio, tinha noção de como aquela música tinha atingido milhares de acessos na internet. A cidade virou a cidade das laranjas. Uma fábrica foi instalada só pra tirar o suco das laranjeiras daquela cidade. Comissões para o pai e comichões para o filho, que cheio de aparatos tecnológicos adorava aquela situação.

O sino apitava na sala feito uma chamada de quarto de hotel. Era o pai pedindo suco de laranja para a filha, que bailava até a cozinha e tratava de pegar a faca. A mãe ia abençoada pelo título de esposa até o jardim e feito uma macaca subia pra pegar o fruto alaranjado. A filha já embaixo com a cesta na mão, atirava a faca para que a mãe cortasse os frutos. Já havia algumas laranjas maduras no chão, mas os homens da casa consideravam tudo o que caía daquela árvore podre, por isso mesmo só entrava na cestinha os frutos cortados, que, poderiam até estar verdes, mas eram bons frutos, segundo o achismo machista.

Com os materiais nas mãos, vão elas à cozinha. A mãe lavou os frutos e os enfiou na máquina de fazer sucos. O suco estava pronto e foi entregue para o pai. Nesse momento o filho arranhava uma última nota em ré menor e desligava a Tv. O pai o agradecia pelo feito, pois o controle do eletrodoméstico sumiu durante o último ensaio da filha. Na verdade o controle foi arremessado na varanda quando o quinto pliê era assentado pela mãe – tudo estrago de um tombo fatídico de mulher - e o controle da sala sumia; e o pai extasiado e já acostumado com o controle, se aborrecia frequentemente.

A mãe exigia muito da menina nos ensaios, ”Não se tira mais terceiro lugar nessa casa” ralhava. A menina era reconhecida sempre pelo seu esforço, mas nunca desbancava os talentos de outros lares ou o do irmão mais novo.

Uma coisa podia se dizer: se houvesse um concurso de dentes perfeitos, assim como houve há 40 anos com sua mãe, que, diga-se de passagem, tirou terceiro lugar – classificada como dentes limpos e careados- a filha ganharia não só o sorriso mais belo, mas também o mais branco e brilhoso.

A vida e suas injustiças. A hora certa e o tempo errado, ou o mesmo que dizer “o contragosto de ficar em casa, sozinho, ou no aprendizado enquanto chove lá fora alguns despregados da matilha”.

O vizinho de baixo batia com força a vassoura contra a parede daquele apartamento barulhento. Bateu com tanta força que fez um buraco e pode visualizar a cena supracitada em questão. Parecia um espetáculo. Ele pegou a câmera e começou a filmar, filmou as imundícies da família e jogou as imagens pela internet. A vizinha de cima assistia ao vídeo do vizinho em um programa de câmeras ao vivo e comentava com a amiga no MSN algo do tipo “ Ora, a grama deles é robusta e mais verde, tudo isso porque tem agrotóxicos; pelo menos a minha é rala e mais saudável”, “É mesmo amiga” concluiu e concordou a confidente, tomando um copo de suco de laranja e cantando um jingle conhecido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gozo

A palavra gozo nunca é inocente. 
Ela pressupõe um prazer extremo, a máxima satisfação, o enlevo, o cume, o topo. 
Usá-la descuidadamente, portanto, é afrontar o que há de mais belo no encontro das carnes e êxtase das almas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

No Teu Seio, Ó Liberdade!

Periferia de Belém. Quando cheguei no bairro onde moro hoje, meus dois irmãos e eu passávamos a vida divididos entre ir à escola e brincar em casa. Quase não saíamos para a rua, com exceção do meu irmão mais velho, a nova sensação das meninas no bairro novo. Minha irmã, um ano mais velha que eu, convivia comigo no ambiente caseiro, reparados por “ajudantes” – eufemismo para empregada que ajuda famílias menos pobres que as suas em troca de roupa, almoço, janta e lugar pra dormir. Íamos pra rua muito esporadicamente logo no início.

Aliás, essa história de ter meninas reparando a gente era formidável pra mim. Vez ou outra havia uma pedófila que me agarrava. Se hoje em dia tem gente que me considera tarado, culpem essas deliciosas ajudantes que exploraram minha sexualidade precocemente – olhem minha cara de traumatizado! Uma delas, Al, morava na outra rua, e como era da confiança da mamãe, abriu as portas para a fase mais feliz de minha vida, com a galerinha. Aventuras que contarei em outro momento. Antes, há uma outra porta que Al me ajudou a abrir que quero partilhar.

Al era mais uma das meninas que ficaram apaixonadas pelo meu irmão-carne-nova. Ela era baixinha, sem muita bunda, mas tinha sorriso farto. Com um olhar muito bonito, seus alargados olhos castanhos claros manifestavam bem o misto de cinismo e espirituosidade que lhe eram abundantes. Todo mundo em casa adorava a Al. Eu adorava os seios da Al - e ainda não sabia porquê.

Certa feita, D. Fátima precisou pagar a luz. Eu estava dormindo no tatame dela e do papai. Vez ou outra eu corria pra lá, quando me dava medo ou quando tava meio dodói, caso que certamente era este - frescura normal para um menino de sete anos. Papai já tinha saído pra trabalhar, então mamãe pediu pra Al deitar ao meu lado, pra eu não ficar sozinho (que meigo). Al deitou. Achei estranho, porque assim que terminou de ouvir as instruções recorrentes que mamãe dava antes de sair de casa, ela deitou, fechou os olhos e supostamente dormiu imediatamente.

- Ninguém pega no sono tão rápido, logo pensei.

Aí, envolto pelo instinto mais primitivo da libido humana eu comecei a admirar aqueles seios fartos e maravilhosos. Eu jamais tinha visto o que estava com vontade de fazer, nem em filmes ou revistas, mas me bateu uma vontade louca de acariciar aqueles seios. E assim o fiz, enquanto sentia um calor que incendiava o meu peito e uma sensação gostosa que fazia meu pênis ficar ereto, como jamais havia reparado que ele podia ficar. Depois de algum tempo acariciando os seios, eu senti vontade de beijar aquele volume que minhas mãozinhas quase não davam conta de apalpar. Eu levantei sua blusa, e olhei de novo pro rosto dela pra ver se ela se mexia. Levantei com mais força, algo que acordaria qualquer pessoa que não fingisse estar dormindo. Parece que ela fechou mais ainda os olhos. E eu, munido de algo que só depois eu saberia que responde pelo nome de tesão, continuei.

Quando terminei de levantar a sua blusa, eu reparei pela primeira vez o quanto um sutiã nasceu para os seios da mesma forma como os motéis nasceram para as amantes. Aquela combinação perfeita não demoraria muito ante meus olhos, entretanto. Eu não estava afim de reparar em moda, mas sim de beijar aqueles peitos. Quando eu finalmente os vi desnudos, eu comecei a beijar um pelas bordas, enquanto acariciava o outro com minhas mãos. Os seios fartos de al ficavam perfeitos a mostra, porque apesar de serem bem grandes, desproporcionais ao seu corpo, quando ela deitava com o tórax voltado pra cima eles meio que se ajeitavam, e o que era suculento, ficava completamente irresistível.

Fui beijando até chegar ao bico, quando vi a Al se mexer pela primeira vez – uma contorcida muito sensual, inclusive. Então, tudo o que conseguia fazer ali era chupar, chupar, beijar o seio todo, lamber da borda ao bico e chupar e acariciar - eu deixaria Freud orgulhoso - até que quando percebi, estava em cima de Al, roçando meu pênis sob a cueca na vagina dela sob o short de lycra, naquele volume gostoso em forma de capus de fusca que tempos depois ela mesma me apresentaria pelo nome buceta. No auge dos movimentos eu quis tê-la de costas (?!), mas ela não permitiu. Ainda com os olhos fechados dissimulou muito bem uma dorminhoca que não quer mudar de posição. Eu, que já estava muito bem daquele jeito, obrigado, continuei até a hora que meus irmãos acordaram.

Quando a mana entrou no quarto, Al disse:

- *Égua, que horas são? Eu tava dormindo até agora.

Eu era criança, mas adorei brincar disso.

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* "Égua" é uma interjeição típica do povo do nordeste paraense.